quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Desilusão

Não foi como eu imaginei quando criança. Você não estava em um cavalo branco, eu não estava vestida de princesa e não tinham lágrimas em meus olhos. Não houve amor à primeira vista, houve atração física, apenas. Sua família não me adora e nem fazem planos para o casamento. Não é uma relação platônica, nem a distância, não trocamos nem cartas, ora! A côrte não existe, o sexo após a cerimônia também não. Você desconhece a poesia, mas adora me ouvir falar. Não sinto decepção por não ter vivido a estória que os livros de Cinderela disseram que eu viveria, no entanto conheci a frustração ao saber que decepções existem e que elas são diárias. Considero-me um ser humano bondoso e compreensivo, mas desisto de esquecer quantas vezes fises-te o meu coração se partir em inúmeros, incontáveis pedaços. A forma nostálgica de como me conformo de que a realidade não é cor-de-rosa me deixa assim nessa melancolia sem fim, com direito a um peito dolorido, em um eterno processo de cicatrização: Ora umas feridas se curam, ora outras se abrem. É suportável, sim; superável, também. Mas é um processo que nos distancia dos sonhos infantis, das crenças religiosas, do eu-te-amo-pra-sempre e das ilusões que a nossa própria imaginação traiçoeira (juntamente com uma sociedade hipócrita) faz-nos criar. É difícil despertar e simplesmente saber que papai noel não existe e que a fada do dente jamais passou pelo meu quarto... 



4 comentários:

  1. Ler a Iasmin é como se reconhecer em fraquezas, angústias, sonhos, amores e desamores, é se deparar com o inimigo ou com amigo oculto de nós mesmos!! Fã! Eu sempre serei o seu fã!

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    1. Grande coincidência, porque eu também sou fã dos seus escritos. Você é um querido!

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  2. Muitooo bomm!!!! adorei

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  3. Nas desilusões não se prendem os culpados
    Só as vitimas permanecem prisioneiras das lembranças.
    Há que praticar o perdão a si mesma.
    Perdoar-se pelo assunto repetido.
    Perdoar-se pela escolha errada.
    Perdoar-se pela falta de graça.

    Quando o perdão chegar, enxugue as lágrimas, despeje as mágoas, enfeite-se e faça uma festa para si. E dance com ritmo e com leveza.
    Marta.

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