sexta-feira, 9 de maio de 2014

Oi!

Vem aqui, sente-se. Vamos dividir um café. Me deixa tragar do teu cigarro, talvez assim sinta o gosto da tua boca. Fale-me de você, me conta sobre o que te inspira; sobre o que te irrita, qualquer coisa, mas diz, grita ou sussurra, só não me empresta o teu silêncio que ele não combina comigo. Vamos contemplar a lua, falar sobre literatura ou culinária, ou sobre qualquer coisa que queira, mas me diga coisas. Coisas que queira dizer, ou se não quiser, me empresta aquele olhar transparente que transmite pureza e sentimentos, uns ruins, outros bons, mas que me deixam molhada de suor.

Consegue ouvir? Hipnotizo-me ouvindo a sua respiração. Ou será que ouço o meu coração? Não, não, insisto que é a tua respiração... Ouço tão dentro de mim, como respiras alto! Engraçado que durmo ouvindo o mesmo som, acordo com ele em volume baixo e com o passar do dia ouço cada vez mais alto. Por que ainda que longe de você escuto os teus suspiros? Jogaste feitiço em mim, criatura! Mas vamos lá, agora estou pronta para ouvir: Quem é você?


Fonte da imagem: Google

4 comentários:

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  2. Que convite lindo!! "vem aqui, sente-se..." Senti como se fosse comigo, vi campos, flores, cheiro de mato, aquele solzinho de 06:30, jeito de domingo, uma rede lá fora, cadeiras de balanço, roupas de casa, chinelinhas arrastando... aí voce passa pela porta primeiro, camisão até o joelho e eu no meio sorriso bobo tenho ofuscados os olhos pelos raios de luz lá por detrás, os quais protejo com a mão direita em concha, em vão,claro, e a imagem que vejo é única.. em perspectiva estão lá como uma coisa só, daquelas que a gente só sabe chamar de "coisa" O céu, o sol que ilumina os campos, que também beija a fronte da minha artista maior, e lá atrás recebo o bafo quente, o seu cheiro que o vento traz, natural, misturado ao aroma amadeirado da casa, xícara e pires na mão e imaginando por onde começar a conversa. Ah.. meu Deus! Começo pelo gole de café. Humm... está ótimo!! Ah, Iasmin, sem palavras. Fiquemos um pouco em silêncio antes da prosa.

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  3. Sou uma indecisão constante e uma decisão eterna. Não quero nada.. e além do mais, eu quero tudo. E quero agora. Sou um louco de vontades inimagináveis, mas imagine... eu quero você.. e quero... pra desde sempre.

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  4. Café, cigarro, respiração, coração... é só do outro?
    Se o aroma convida para um gole, se a fumaça pode ser tragada mesmo sem querer, se a pequena lufada de ar é sentida, se o batimento anuncia...
    Ou você também se deixa enfeitiçar?!
    Talvez seja o momento para ouvir a si mesma.
    E se você se permitir desvelar?
    É saltar ou ficar parada à beira do barranco.
    Marta.

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